sexta-feira, 30 de março de 2012

Instittuto dará choque de gestão em ONGs educacionais

Braço filantrópico de grupo de investimento quer atuar de forma estratégica em ONGs que trabalham com educação.


Por Marina Morena Costa, IG São Paulo


Consultorias financeira, tributária, publicitária e jurídica para melhorar a gestão das organizações não governamentais que atuam na educação básica. Essa é a proposta de atuação do Instituto Carlyle Brasil, lançado nesta quinta-feira (29). O braço filantrópico do grupo de “private equity” pretende aplicar no terceiro setor a metodologia que realiza no mercado financeiro: um choque de gestão estratégico para aumentar o valor da empresa. No caso das ONGs de educação, o objetivo será melhorar e aumentar seu impacto social.

O instituto contratou a Brazil Foundation, que investe em iniciativas da sociedade civil, para elaborar um edital e selecionar até cinco ONGs. Elas receberão recursos financeiros e humanos por um período de três a cinco anos. A expectativa é realizar a seleção nos próximos três meses e iniciar a parceria em 2013. O instituto pretende investir entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões por ano, captados por meio de doações de empresas no Brasil (com dedução fiscal), além de investimentos voluntários dos funcionários do grupo no mundo inteiro.

As ongs parceiras do Instituto terão representantes da Carlyle em seu conselho e serão submetidas a auditorias da Ernst & Young. “Queremos oferecer ajuda especializada e gestão estratégica para o desenvolvimento social”, afirma Juan Carlos Felix, diretor-geral do Carlyle.

Ele destaca que o grupo irá investir em ONGs de médio porte, com grande potencial de impacto e com sede em São Paulo, para que os executivos e profissionais possam acompanha-las de perto e realizar trabalho voluntário no local. “Nosso papel é ajudar pessoas, não temos a pretensão de melhorar a educação no Brasil inteiro”, aponta.

De acordo com Felix, está é a primeira vez que o Grupo Carlyle investe em ONGs de educação replicando o modelo de monitoramento de gestão de empresas. A proposta é que após a parceria com o instituto, as organizações voltem a trabalhar sozinhas e uma nova leva seja ajudada.

O grupo Carlyle é um dos maiores fundos de investimento do mundo, com US$ 147 bilhões de ativos sob gestão. O Carlyle tem participação no controle de quatro empresas brasileiras: CVC, Qualicorp, Ri Happy e Scala/Trifil.

Gestão Triplo "E" e o TAO empresarial

A eficiência será o Tao das empresas, desde que nos lembremos de que não é um fim em si mesma.
Por Flávio Ferrari




Empresas já foram mais "românticas", na época das missões. Obviamente, não me refiro aqui às missões jesuítas do século XVI, embora repute-se a Manoel da Nóbrega (que veio instalar a primeira missão no Brasil em 1549) a frase "essa terra é nossa empresa" logo em sua chegada.

Refiro-me ao século passado, quando descobrimos que definir a missão de uma empresa não só inspirava a tripulação como garantia a manutenção do rumo da nau.

Evoluímos daí para o planejamento estratégico, em busca da eficácia, e descobrimos o poder do alinhamento. E entramos no século XXI com total ênfase na eficiência, convencidos de que ela é a chave para a competitividade. Efetividade, eficácia e eficiência formam o que chamo de "triplo E" da gestão.

Efetividade é saber o que deve ser feito para chegar onde desejamos. Eficácia é ser capaz de fazer. Eficiência é fazer da melhor forma.

Com serena convicção posso garantir que a grande maioria dos conceitos relevantes para administração e gestão empresarial cabe nessa tríade.

"Tao" é uma palavra chinesa que significa "caminho". Na filosofia oriental representa a natureza fundamental do Universo. Reconhecer e viver de acordo com o Tao é, de maneira simplificada, o verdadeiro sentido da vida.

A maneira pela qual podemos nos tornar unos com o Tao é seguindo o "caminho da virtude" (Tao Te) e, que me perdoem os orientais pelo pobre uso de sua nobre filosofia, isso justifica a preocupação com a eficiência.

Eficiência é o equivalente da virtude no mundo empresarial. Mas há que lembrar que a virtude não é um fim em si mesmo. Ela é o caminho para um objetivo maior. Entretanto, quando estamos conscientes disso, a natureza do Universo permeia nosso caminho e o Tao passa a ser o caminho.

Podemos reconhecer que estamos vivendo de acordo com o Tao pela sensação vigorosamente motivadora e o grande poder de realização que isso nos dá.

Analogamente, a eficiência será o Tao das empresas, desde que nos lembremos de que não é um fim em si mesma.

E esse é o paradoxo que enfrentamos nos dias de hoje, invertendo o fluxo lógico do caminho do triplo E e priorizando a eficiência como objetivo soberano.

A natureza do universo empresarial é simplificadamente representada por sua missão, visão e valores. Daí nasce a consciência de seus objetivos maiores e do sentido da vida empresarial.

O planejamento estratégico é um simples exercício de tradução da missão e da visão em atividades práticas (metas). E os valores simbolizam a virtude, ou o conjunto de atitudes que levam ao caminho da eficiência.

O pecado mortal é buscar a eficiência desconectados desse fluxo lógico. É bastante comum que a métrica escolhida para avaliar a eficiência seja "custo" e que dediquemos nossos esforços a reestruturações de processos que resultem na redução dos recursos necessários para realizá-los.

Na prática, observamos que existe grande probabilidade de que processos otimizados com base em redução de custos sejam menos eficazes. E, pior ainda, o uso recorrente e obsessivo dessa prática desvia a equipe do Tao. A missão e a visão da empresa deixam de permear suas atitudes cotidianas.

Isso é grave. Equivale a perder o contato com o verdadeiro sentido da vida, no âmbito empresarial. O resultado é perda de motivação, de vigor e de poder de realização. O medo do desconhecido (para onde vamos?) passa a habitar os corredores da empresa paralisando-a. Nada mais se faz além de resolver os problemas de curto prazo e qualquer ganho de eficiência nos processos se perde pela redução generalizada do vigor.